Acesso à área reservada do site:                    Login (CPF):        Senha:     

Home > Notícias > Detalhes da Notícia

Fim já aos fichas sujas

Em 17/09/2009

O Congresso Nacional não pode ignorar o anseio do cidadão brasileiro pela moralização da vida política. E uma medida se torna imperativa nesse sentido: a criação de barreira intransponível a pessoas que não se comportem segundo os cânones morais da sociedade ou não estejam em harmonia com a lei e ainda assim queiram se candidatar a cargo público. Projeto de lei de iniciativa popular destinado a vetar os fichas sujas está prestes a ser protocolado na Câmara dos Deputados. Campanha levada a todo o país por 43 entidades já recolheu 1,3 milhão de assinaturas necessárias (mínimo de 1% dos eleitores) à apresentação da iniciativa, uma prerrogativa constitucional da qual o parlamento não pode fugir.

Por que, então, o arremedo de minirreforma eleitoral aprovado de afogadilho pelo Senado Federal na noite de terça-feira não contempla a expectativa nacional de forma límpida? Simples: o instinto de sobrevivência dos congressistas fala mais alto toda vez que o tema é analisado. Nesses momentos raros, opera-se segundo a tática do faz de conta. Em outras palavras, ilude-se a opinião pública. É o que de novo se tenta fazer. Na semana passada foi aprovada proposta do senador Pedro Simon (PMDB-RS) com a exigência de reputação ilibada e idoneidade moral para a inscrição de candidaturas eleitorais. Mas já se fala em articulações para deturpar o texto na Câmara dos Deputados, com a retirada de palavras-chaves que o tornariam inócuo.

Pelo visto, há que cuidar inclusive de definir com propriedade na lei, de modo a não deixar dúvida, o conceito de reputação ilibada. A Constituição não teve esse cuidado extremo ao impor essa qualidade como exigência sine qua non para a investidura nos cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal (artigo 101) e do Superior Tribunal de Justiça (artigo 104). Contudo, diante do espetáculo de imoralidade explícita na política nacional e do vício da classe no jeitinho salvador capaz de fabricar saídas para tudo, ou se trata de fechar as brechas, ou não se terá fechado nenhuma delas. O projeto de iniciativa popular impõe restrições a condenados em primeira instância, aos que tiveram denúncia acolhida por um tribunal (por crimes hediondos, contra a fé pública ou a economia popular e por tráfico de entorpecentes e drogas), além dos que renunciaram para evitar processo por quebra de decoro.

Houvesse vontade política para mudar, nem era preciso aguardar o término da coleta de assinaturas (até porque o respaldo era francamente previsível). Em 2010 haverá eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais. É pouco crível que se vote a tempo o projeto de iniciativa popular. A limpeza vai sendo adiada. Candidatos de vida pregressa suspeita sobrevivem. Muitos, num repugnante círculo vicioso, submetem o nome às urnas justamente atrás da imunidade parlamentar. Deveriam ser barrados pelos próprios partidos. Mas aí é outra questão, mais uma entre tantas falhas cujo conserto é eternamente procrastinado pelo parlamento. Por exemplo, a falta de transparência no financiamento das campanhas.

 

Autoria: Correio Braziliense

 

Outras Notícias Desta Editoria

DataNotícia
19/07/2010 Quebra de sigilo fiscal é um retrocesso político
19/07/2010 Educação sindical
14/07/2010 Ficha Limpa avança, apesar do ceticismo
12/07/2010 Elevação da dívida pública preocupa o FMI
22/04/2010 Sindifisco Nacional rebate críticas ao fim da contribuição previdenciária
12/04/2010 Ampliar a bancada sindical: desafio dos trabalhadores em 2010*
31/03/2010 A lição das isenções fiscais e a reforma tributária
23/03/2010 Ficha limpa precisa passar
23/02/2010 Reajuste de servidor em ano eleitoral**
28/01/2010 Finanças equilibradas sem cortes são um mundo impossível
11/01/2010 Opinião Jurídica - A anterioridade na substituição tributária
07/12/2009 República e democracia - Marco Maciel*
23/11/2009 O país tem políticos melhores?
18/11/2009 Cortar na carne
16/11/2009 Do serviço público que temos para o que queremos - Allen Habert*
03/11/2009 'O Brasil evoluiu muito do ponto de vista fiscal'
27/10/2009 É preciso melhorar o gasto público
18/09/2009 CE: Greve na fazenda
FEDERAÇÃO NACIONAL DO FISCO ESTADUAL E DISTRITAL
SCS Quadra 6 Bloco A – Ed. Citibank, 4º andar | CEP: 70306-910 - Brasília – DF
Fone: (61) 3224-0515 / 3226-4070 / 3225-6227 / 3225-3968 | Fax: 3225-6554
E-mail: fenafisco@fenafisco.org.br

Copyright © 2010 - Todos os direitos reservados.
Ir para o topo