Auditores fiscais exigem punição para acusados da "Chacina de Unaí"
Ana Clara Martins
Um protesto realizado ontem em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) lembrou os seis anos da chamada "Chacina de Unaí" e pediu agilidade nos processos de julgamento.
Até hoje, os acusados do assassinato dos três Auditores Fiscais do Trabalho e do motorista do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), ocorrido no município mineiro,não foram julgados.
Coordenado pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), o ato reuniu cerca de 120 pessoas e também contou com a presença de representantes da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais, do Ministério Público do Trabalho (MPT), além de viúvas e parentes dos auditores assassinados. O senador José Nery (PSOL - PA), presidente da Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo no Senado Federal, também esteve presente.
O crime tirou a vida dos fiscais Eratóstenes de Almeida Gonsalves,João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e do motorista Ailton Pereira de Oliveira, todos servidores do MTE, quando fiscalizavam denúncia de existência de trabalho escravo na área rural de Unaí.
A viúva de Nelson José da Silva, Elba Soares da Silva, lembrou uma fala do presidente Lula na missa se 7º dia das vítimas. "Eu me recordo que ele disse: ’Os culpados serão julgados e condenados, doa a quem doer’. Então porque isso ainda não aconteceu?", questiona.
Os manifestantes soltaram balões pretos, simbolizando o estado de luto em função da morosidade no julgamento. A presidente do Sinait, Rosângela Rassy, teme, inclusive, a prescrição do crime. "Do jeito que está, é possível que os assassinatos prescrevam, e nada mude. Nada mudou para os fiscais do trabalho desde 2004". Rosângela também esteve com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, para pedir agilidade.
O coordenador nacional de erradicação do trabalho escravo do MPT, Sebastião Caixeta, afirma que o crime vitimou também o Estado, que não pode ser tolerante e aceitar a impunidade.
Nove pessoas foram indiciadas e deverão ser levadas a julgamento por decisão da Justiça. Mas somente depois de analisados todos os recursos pedidos pelos advogados de defesa o processo poderá retornar a Minas Gerais e o julgamento poderá ser marcado.
"É sempre difícil combater o poder econômico e político ligado a essa prática criminosa. Mas o mais triste é constatar que algumas autoridades ignoram essa realidade e fazem pouco caso dos que defendem o combate ao trabalho escravo", disse o senador José Nery. O suspeito de ser o mandante do crime é o atual prefeito de Unaí, Antério Mânica, que, apesar de já indiciado, foi eleito e por essa razão tem o direito de ser julgado em foro especial.
Ontem foi a primeira vez em que se comemorou o Dia Nacional do Auditor do Trabalho. A data foi escolhida em homenagem às vítimas da chacina.