Seminário internacional critica o desmonte da Previdência na América do Sul

21 Fevereiro 2018
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Fenafisco reforçou o ato e defendeu a sustentabilidade do sistema público

 A semana começou marcada por debates, manifestações e protestos em todo o país contra os ataques à aposentadoria do brasileiro.

Em Brasília, não foi diferente. O Seminário “A Resistência à Reforma Previdenciária da Argentina e Ações Estratégicas contra a Reforma de Temer”, reuniu na segunda-feira (19), grande público no auditório Petrônio Portela, do Senado Federal, com o objetivo de discutir medidas de proteção à Seguridade Social.

O evento realizado pela Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, com o apoio da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) e Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), trouxe ao debate o conjunto de ataques intentados contra os trabalhadores de países como o Argentina, Brasil e Chile, para favorecer aos anseios do mercado financeiro.

O presidente da Confederación Latinoamericana de Trabajadores Estatales (Clate), Julio Durval Fuentes, lembrou que intensos os protestos e resistência popular não foram suficientes para barrar a reforma da Previdência na Argentina, aprovada no final de 2017.

Na oportunidade, o representante do movimento sindical argentino afirmou que a Previdência não deve ser tratada como fonte de ganhos e lucros para o capital financeiro e defendeu a manutenção do modelo de Previdência público, solidário e estatal. “Sem dúvidas, se uma lei tem que ser sancionada à sangue e fogo, como foi o caso da Argentina, certamente não se trata de algo bom para a população”, disse.

RETROCESSO

O presidente da Fenafisco, Charles Alcantara criticou a agenda neoliberal imposta ao povo pelo governo e mais uma vez rejeitou a proposta de reforma previdenciária. “Nunca na história ficou tão evidenciado o significado da expressão neoliberalismo e não poderia ser mais feliz a associação dessa ideologia ao vampirismo, que desfilou na Sapucaí sob o nome de Vampiro Neoliberalista. Estado mínimo para os pobres, com o corte de recursos nas áreas sociais; para os rentistas, o Estado é máximo. A reforma da Previdência ataca a população brasileira, diminuindo a renda de quem depende de pensões e aposentadoria para viver, em favor dos bancos”, disse.

Floriano Martins de Sá Neto, presidente da Anfip, reafirmou o compromisso do Fisco Federal em defesa da Seguridade Social. “Não vamos descansar até sepultar essa proposta. Quem é a favor da reforma, é contra o Brasil. Vamos lutar até o fim”, destacou.

Para o presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos, a única forma eficaz de garantir a Previdência pública e defender a classe trabalhadora é mudar a representação de forças no Congresso Nacional, principalmente na Câmara. “O governo retirou da pauta uma agenda neoliberal, com fins puramente eleitorais. Precisamos eleger representantes dos trabalhadores brasileiros”.

APOIO PARLAMENTAR

Além de lideranças sindicais, representantes dos serviço público e movimentos sociais, o Seminário contou com a presença de parlamentares que manifestaram otimismo com o recuo do governo em deliberar sobre a pauta.

O senador Hélio Costa (PT-PE) marcou posição de total solidariedade na luta em defesa dos direitos sociais, assim como o deputado Weliton Prado (PROS-MG), que clamou por unidade, para o alcance da vitória.

O senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Frente Parlamentar, criticou o governo por privilegiar os grandes sonegadores da Previdência e tratar com desdém a sociedade. “Eu espero que essa molecagem e a própria reforma da Previdência vá para a lata do lixo, que é isso que ela merece”, disse.

Ler 178 vezes Última modificação em Quinta, 22 Fevereiro 2018 13:24