Presidente do Sindifisco-MG participa em Brasília de debate sobre a reforma da Previdência

09 Maio 2017
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Evento teve como palestrante o jornalista e comentarista político Bob Fernandes

O presidente do Sindifisco-MG, Lindolfo Fernandes de Castro, participou no dia 2 de maio, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília, do evento "A mídia e o poder" que, nesta edição, discutiu a reforma da Previdência. Para falar sobre o tema foi convidado o jornalista Bob Fernandes, autor de inúmeros artigos e reportagens em revistas e jornais de grande circulação como Carta Capital, Isto É, Folha de S. Paulo e outros, atualmente comentarista político na TV Gazeta de São Paulo.

O evento foi realizado pelo Bloco da Minoria na Câmara, em parceria com entidades sindicais como a Pública - Central do Servidor, o Sindifisco-MG e outras. Participaram do debate os deputados federais Ênio Verri (PT/PR), José Guimarães (PT/CE), Adelmo Leão (PT/MG), Weliton Prado (PMB/MG), Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara, e o ex-ministro da Previdência Social, das Comunicações e do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini.

Ao abordar a proposta de reforma encaminhada ao Congresso pelo governo federal, o presidente do Sindifisco-MG fez um rápido histórico da Previdência, lembrando que se trata de um direito universal da classe trabalhadora conquistado com muita luta. Ele explicou que, na luta contra a reforma, os sindicalistas trabalham duas vertentes: a mobilização, levando suas bases às ruas para pressionar pela extinção da proposta, e a desconstrução dos argumentos do governo e do senso comum contrários aos trabalhadores. "Nós temos tido sucesso nas duas empreitadas, tanto nos argumentos para rebater as falas do governo, como também na mobilização, vide a greve do dia 28 e as paralisações anteriores que levaram milhões de trabalhadores brasileiros às ruas em todo o país", frisou.

Lindolfo de Castro observou que, se tiver que ser feito algum ajuste nas contas públicas para viabilizar a Previdência, como alega o governo, que seja feito pelo lado da receita e não sobre o sacrifício da classe trabalhadora. Ressaltou que a Previdência não é o problema do Brasil e, sim, a dívida pública, o alto índice de sonegação, as desonerações e o sistema tributário injusto, em que 75% da carga tributária incidem sobre o consumo e a mão de obra, carga essa que é regressiva e indireta (regressiva porque pagam mais os que ganham menos, e indireta, porque quem paga é o trabalhador/consumidor na ponta).

Ao desconstruir o discurso do déficit previdenciário, ele citou a Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo que tem permitido ao governo utilizar recursos originalmente destinados à Seguridade Social, para outros fins. Segundo o presidente do Sindifisco-MG, a reforma de que o país realmente precisa, é uma reforma tributária que torne nosso sistema tributário mais justo e reduza a regressividade.

Ao abordar a relação entre mídia e poder, o jornalista Bob Fernandes defendeu a regulamentação econômica da mídia. "Qualquer país civilizado no mundo tem uma instituição que tem regras claras, que determinam o que você pode ter. Você não pode ter tudo, ser dono de tudo, ter a opinião pública na mão", ressaltou. Ele criticou a megaexposição do que interessa aos veículos de comunicação e a supressão de informações que traduzam opinião contrária. Ele criticou esse olhar distorcido da mídia e frisou que muitas questões brasileiras fundamentais não são discutidas pela imprensa. No caso específico da Previdência, ressaltou que o debate feito pela mídia não está ouvindo os trabalhadores, reproduzindo uma visão unilateral da questão. Opinião semelhante foi manifestada pela ombudsman do jornal Folha de S. Paulo em artigo publicado no último domingo (31/4), intitulado "A imprensa e a greve geral".

Fonte: Sindifisco-MG

Ler 343 vezes Última modificação em Sexta, 12 Maio 2017 12:01