Corrupção e desigualdades, um círculo vicioso

06 Novembro 2018
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Nos noticiários, nas rodas de conversa com os amigos e familiares ou nas correntes do WhatsApp, a corrupção é um dos temas mais presentes. A relevância do assunto se deve à justa indignação popular diante de crimes envolvendo a gestão de recursos públicos.

Nesse debate, porém, existem elementos que nem sempre são abordados de forma satisfatória: a relação da corrupção com o modelo de administração pública brasileiro e a estreita ligação desse crime com a desigualdade social.

Os brasileiros estão acostumados a interpretar o desvio dos bens públicos como uma questão ligada somente à falta de ética e caráter. Não restam dúvidas de que a má-fé dos praticantes de atos de corrupção é um dos elementos centrais do crime, mas ela não explica tudo.

Isso porque, no Brasil, os poderes político e econômico vivem em uma espécie de comunhão, uma eterna troca de favores. Aqui, legisladores e chefes do Executivo são, via de regra, financiados por setores econômicos muito poderosos. Prova disso é que, no Congresso Nacional, os parlamentares custeados pelos mesmos patrocinadores reúnem-se em bancadas para defender interesses que muitas vezes não são os da maioria da população.

Essa relação abre brechas, sem dúvidas, para transações e esquemas de corrupção que estampam os noticiários e revoltam a população. Isenções fiscais astronômicas, licitações fraudadas, contratos públicos superfaturados e outros casos de favorecimento ilícito são apenas alguns dos crimes mais recorrentes no cenário político brasileiro.

Nesse sentido, mais do que uma falta ética, um ato de corrupção é também o sintoma de uma estrutura formulada para favorecer pequenos grupos econômicos e políticos e perpetuar a desigualdade. Prevenir as más condutas, portanto, vai muito além da fiscalização: exige reformas que sejam capazes de colocar o interesse da população em primeiro lugar na administração pública.

É por isso que projetos essenciais como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 186 e a Reforma Tributária Solidária, apoiadas pelo Sindafep, encontram dificuldades para avançar no Congresso. São medidas que trariam mais controle nessa relação entre o público e o privado.

Desigualdade

Um dos efeitos mais notórios e trágicos de todo esse esquema é a desigualdade que assola o país. Não temos nada para comemorar quando o assunto é justiça social. O Brasil é o 10º do mundo em desigualdade de acordo com o índice Gini, que mede o desequilíbrio na distribuição de renda. Apesar de ser a sétima economia do planeta, o país tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de causar vergonha: é o 79º entre 188 nações pesquisadas.

A estrutura de gestão do Estado, fortemente marcada pelo favorecimento entre elites políticas e econômicas, contribui muito para esse cenário desolador. Verbas que poderiam ser aplicadas em saúde, educação, segurança pública, ciência, cultura e transporte, por exemplo, são desvirtuadas para perpetuar injustiças e privilégios.

Para o presidente do Sindafep, Wanderci Polaquini, reverter a profunda desigualdade no Brasil é uma tarefa de todos aqueles que são comprometidos com a justiça social. “Não tem como construir um país justo sem desmantelar os esquemas que claramente reproduzem as desigualdades. A relação íntima entre os poderes político e econômico é um desses mecanismos. O interesse público deve vir em primeiro lugar, seja qual for a área ou o período histórico”, defende.

Fonte: Sindafep - PR

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