O relator da reforma da Previdência, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) O relator da reforma da Previdência, Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) Foto: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

Relator diz que próxima reforma da Previdência será mais dura

13 Março 2018
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Deputado Arthur Maia ainda criticou parlamentares que são a favor da proposta, mas iriam votar contra para não perder votos nos seus redutos eleitorais

RIO - A próxima proposta de reforma da Previdência será mais dura que o texto atual, afirmou o deputado federal e relator da matéria, Arthur Maia, que participa do seminário "Reforma da Previdência, uma reflexão necessária", da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"A reforma que será feita não será a reforma do meu parecer. Será uma reforma mais dura e mais profunda", afirmou Maia a jornalistas, após a sua apresentação.

O governo anunciou oficialmente em fevereiro a suspensão da tramitação da reforma da Previdência no Congresso, depois de ter sustentado que continuaria trabalhando pela aprovação da proposta mesmo com a intervenção no Rio. 

Segundo ele, o atual governo tem limitações políticas por ter assumido após um impeachment e por 2018 se tratar de um ano eleitoral. "Não adianta, nós não temos votos, tem os deputados contra, a favor e os que estão preocupados com a sua eleiçãozinha", criticou.

Na avaliação do parlamentar, a reforma deverá ser o primeiro tema que o próximo presidente da República deverá enfrentar, e terá capital político suficiente para fazer a reforma até o fim. "Logo no começo do mandato o presidente terá capital político suficiente para fazer a reforma e, se eu for reeleito, vou apoiá-lo", finalizou.

Segundo Maia, o que realmente atrapalhou a aprovação foram as delações da JBS, que envolveram o presidente da República, Michel Temer. "A Previdência poderia ter sido aprovada não fosse a delação da JBS. A partir da delação foram duas denúncias contra o presidente da República, a base do governo teve que ficar contra a vontade da população", disse Maia, reconhecendo que a comunicação do governo federal sobre a reforma também não foi muito boa.

Ele criticou ainda os próprios aliados do governo federal, que se negaram a aprovar o projeto em ano eleitoral. "Só não dá para levar a sério aquele que chega e fala que sabe que precisa, mas que é ano de eleição e por isso não vai votar. E isso é majoritário na política nacional", observou.

Maia destacou que neste ano não existe condição da proposta voltar à votação, além do que, por conta da intervenção na segurança do Rio de Janeiro, não seria constitucional. "Nos próximos seis meses, teremos um amplo debate, que vai culminar com a eleição do presidente. Esse debate terá como tema central a reforma da Previdência e é importante que todos os candidatos se posicionem", afirmou.

Fonte: Estadão

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