Segundo Azevêdo, o governo brasileiro está muito atento aos possíveis desdobramentos da medida. Segundo Azevêdo, o governo brasileiro está muito atento aos possíveis desdobramentos da medida. Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

Diretor da OMC afirma que sobretaxação de aço impacta exportações brasileiras

13 Março 2018
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Roberto Azevêdo reuniu-se com o presidente Michel Temer para discutir alternativas para lidar com a situação

BRASÍLIA - A decisão dos Estados Unidos de sobretaxar suas importações de aço vai afetar as exportações brasileiras, disse nesta segunda-feira, 12, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. "Evidente que uma medida dessa natureza terá impacto sobre as nossas exportações", afirmou ele, após reunir-se com o presidente Michel Temer.

Ele contou que, na conversa, falaram das várias alternativas para lidar com a situação. "O Brasil está aberto para o diálogo, para uma tentativa de entendimento com os norte-americanos", disse. O mecanismo de solução de controvérsias da OMC é um dos instrumentos que pode ser utilizado. "O governo não exclui essa possibilidade, mas estuda várias alternativas", informou. Até o momento, disse ele, nenhum país formalizou pedido para acionar tal mecanismo no caso da sobretaxa dos EUA ao aço e ao alumínio.

Segundo Azevêdo, o governo brasileiro está muito atento aos possíveis desdobramentos da medida. Ele acrescentou que o setor siderúrgico é muito importante para a economia de vários países. "Ouvi a mesma coisa que vocês ouviram: que medidas norte-americanas podem encontrar contra-medidas sendo adotadas por outros países", disse.

"Acho importante que as regras multilaterais sejam observadas. A ação unilateral tende a provocar reação. E esse processo leva a guerras comerciais que não são de interesse de ninguém e onde só há perdedores."

Sanções. Roberto Azevêdo também voltou a alertar para o risco de uma escalada de retaliações comerciais, que pode ser desencadeada a partir da decisão dos Estados Unidos de sobretaxar em 25% as importações de aço, inclusive do Brasil.

Ele comentou que os americanos ainda estão decidindo qual a extensão e quais países e produtos serão afetados. Por outro lado, os países potencialmente prejudicados estão em contato para, eventualmente, atuar em conjunto.

"Acho que estamos num primeiro momento. Espero muito que os entendimentos frutifiquem, e possamos evitar uma situação de quiproquó", disse, após reunir-se com o presidente Michel Temer. "Essa escalada é difícil de reverter. Sabemos quando e como começa, mas não sabemos nem como, nem quando consegue cessar esse processo", afirmou.

União Europeia. O processo de recuperação da economia e o acordo de associação Mercosul-União Europeia também foi discutido na reunião entre o presidente Michel Temer e o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. Ele comentou que as pesquisas da OMC apontam para dados positivos para o desempenho da economia e os dados estão sendo revisados para cima, inclusive os do Brasil. "Aparentemente, estamos no bom caminho", comentou.

O acordo do Mercosul com a União Europeia, que em teoria está próximo de ser assinado, também foi discutido. "Do meu ponto de vista, vejo o processo de maneira positiva", disse. Ele avaliou que a aproximação com os europeus aumentará a competitividade da economia brasileira.

Fonte: Estadão

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