Bolsonaro diz que reforma da Previdência pode estabelecer idade mínima de 62 anos

07 Novembro 2018
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Presidente eleito considera que esse é um número que 'passa' no Congresso

BRASÍLIA — O presidente eleito Jair Bolsonaro voltou a defender que a reforma da Previdência seja votada ainda este ano. Bolsonaro defendeu que seja aprovada uma idade mínima para aposentadoria. Se não os 65 anos propostos pelo governo Temer, pelo menos 62 anos de idade que, para o presidente eleito, é um número que "passa" no Congresso.

— Conversei rapidamente com o presidente Temer hoje na mesa, amanhã eu vou conversar com ele. O que a gente puder salvar dessa reforma a gente salva. Agora a reforma não é a que eu quero ou que a minha equipe econômica quer, é aquela que passa na Câmara e no Senado. A conclusão de todos é que não podemos terminar esse ano sem votarmos — disse Bolsonaro.

Ao longo do dia, além do próprio Bolsonaro, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, também defendeu a possibilidade de uma reforma parcial aproveitando a proposta já em tramitação no Congresso e elaborada pelo governo Temer. Segundo Guedes, caso a proposta de Temer não seja aprovada, caberá ao presidente eleito trabalhar com uma "reforma diferente" no ano que vem.

— Estamos defendendo aprovar essa reforma que está aí, tirar essa nuvem negra do horizonte, e nos dar tempo de fazer uma transição para um novo regime trabalhista e previdenciário — afirmou Guedes.

Guedes disse que será feita uma “sondagem” entre os parlamentares para verificar se há apoio político para votar a medida, e ressaltou que Bolsonaro não pode ser derrotado no Congresso antes mesmo do início do governo:

— É natural que um político diga que nós não podemos transformar um homem que venceu nas urnas em um homem que vai ser derrotado antes mesmo de começar.

O novo regime defendido por Guedes é o de capitalização, no qual o valor da aposentadoria do trabalhador depende de com quanto ele contribuiu. Apesar da defesa feita pelo economista, Bolsonaro disse nesta semana “desconfiar” desse regime. Para Guedes, é “natural” que o presidente eleito tenha dúvidas.

— É muito natural que as pessoas falem que é preciso fazer essa transição com calma. É natural que pessoas que não conhecem o assunto profundamente tenham dúvidas. É natural que ele tenha apreensões — disse.

Caso a reforma de Temer não seja aprovada, o futuro ministro da Economia disse que o governo Bolsonaro irá propor uma reforma da Previdência diferente da que está em discussão.

Mais cedo, o filho do presidente eleito, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou ser difícil aprovar alguma mudança na Previdência ainda neste ano, apesar de seu pai ter voltado a falar sobre o tema nesta segunda-feira.

— Acho difícil aqui, pelo tempo — disse Eduardo Bolsonaro.

Renegociação da dívida
Paulo Guedes negou que o novo governo tenha em estudo alguma propostas para “renegociar” a dívida interna. Em entrevista nesta segunda-feira, Bolsonaro disse que citou uma possível “renegociação” de dívida, sem dar qualquer explicação sobre o tema.

— Eu falei tantas vezes que os juros excessivos que o presidente talvez tenha falado em renegociar dívida. Isso está fora de cogitação, não se pensa nisso, isso não existe. A renegociação de dívida não é um problema — disse Guedes.

Paulo Guedes se reúne com o atual ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, pela primeira vez após as eleições nesta terça-feira para dar início oficialmente à transição presidencial.

Fonte: O Globo

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