Previdência: governo está preparado para ceder, diz Guedes

18 Abril 2019
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Ministro da Economia não detalhou que pontos podem ser alterados

O ministro da Economia, Paulo Guedes , disse nesta quarta-feira que o governo está preparado para ceder em pontos da reforma da Previdência. Ele não detalhou, porém, que aspectos do texto poderiam ser alterados porque, segundo ele, isso faz parte da estratégia de negociação para aprovar a proposta.

— Não posso falar onde a gente cede. Isso é uma estratégia de negociação. Estamos preparados para ceder em algumas coisas e não em outras — disse Guedes, em entrevista à Globo News.

O texto da reforma da Previdência está em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. As sessões da comissão vêm sendo marcadas por muita confusão e discussão envolvendo parlamentares da base governista e da oposição.

Perguntado sobre as projeções do mercado, que apontam uma economia entre R$ 500 bilhões e R$ 600 bilhões com a reforma da Previdência, o ministro afirmou que as estimativas estão equivocadas. Ele reiterou que a previsão do governo é de um montante da ordem de R$ 1 trilhão.

— O mercado está errado. Não vai ser R$ 500 bilhões ou R$ 600 bilhões. Esse negócio da conta cada um faz a sua — afirmou.

Questionado sobre as críticas que o presidente Jair Bolsonaro recebeu por intervir para que a Petrobras adiasse a aplicação de um reajuste no preço do diesel, na semana passada, Guedes disse que o presidente estava apenas buscando informações sobre o aumento, mas admitiu que o presidente não agiu “da melhor forma” no episódio.

— É natural que ele como presidente se precipite. Aconteceu da melhor forma? É claro que não — afirmou Guedes, que voltou a criticar a prática de reajustes diários no combustível, que já foi adotada pela Petrobras

— O que a gente tem que procurar é não ser 8 nem 80. Nem reajuste diário, porque não é sensato para a economia que se move, nem controle de preço.

Questionado se esperava ter mais autonomia Guedes disse que não tem, até o momento, do que reclamar.

— Eu não posso me queixar. Eu não fui atingido na minha autonomia.

Durante a entrevista, Paulo Guedes afirmou que o objetivo do governo é, até o fim do mandato de Bolsonaro, reduzir a carga tributária de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) para 30%. Segundo ele, o ideal seria reduzir a 20% nas próximas gestões.

Apex
Guedes também defendeu a extinção da Agência de Promoção das Exportações ( Apex ). O órgão, vinculado ao Itamaraty, passa por uma crise de gestão desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro deste ano.

— Se dependesse de mim, eu acabava com a Apex. Eles têm R$ 700 milhões para promoção comercial e eu sempre achei que quem tem que fazer promoção comercial é o Itamaraty — afirmou.

A crise na Apex começou com a nomeação de Alex Carreiro, demitido após bater de frente com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Este mês, foi a vez de o embaixador Mário Vilalva ser exonerado por Araújo. Vilalva se entendeu com parte da diretoria da agência.

Fonte: O Globo

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