Mesmo com texto enxuto, líderes apontam dificuldades para aprovar reforma da Previdência neste ano

Com o objetivo de aprovar a reforma, governo retirou parte das propostas, mas PEC só seguirá para o Senado se tiver o apoio mínimo de 308 deputados. Ainda não há consenso entre partidos.

Mesmo depois de o governo ter apresentado uma proposta enxuta para a reforma da Previdência, líderes partidários ouvidos pelo G1avaliam que será difícil aprovar a proposta ainda neste ano.

Para esses líderes, apesar das mudanças, a reforma continua polêmica e, por isso, não há consenso sobre o projeto a ser aprovado.

O relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), admite que, para se obter os 308 votos necessários para a aprovação, será necessário um "trabalho árduo".

A proposta foi enviada ao Congresso em dezembro do ano passado e chegou a ser aprovada na comissão especial em maio, mas, desde então, não avançou por falta de consenso.

Diante disso, o governo articulou com Arthur Maia uma versão enxuta.

O que dizem os líderes

Para o líder do PR, José Rocha (BA), o principal desafio do governo é a falta de tempo para a proposta ser votada, isso porque faltam 4 semanas para o recesso parlamentar.

"Acho que o governo tem que ter muita cautela, tem que conversar mais, explicar mais. A divulgação até que melhorou muito, mas em um tempo muito curto. E, enquanto o tempo passa, mais próximo está da eleição, e fica mais difícil aprovar", afirmou.

O líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP) diz que, mesmo com as mudanças, o texto ainda tem problemas em questões centrais, o que pode dificultar a aprovação.

"Não houve aperfeiçoamento do texto, mas apenas o abandono de alguns itens. O PSDB vai apresentar alternativas ao texto do governo. Vamos votar a reforma da Previdência desde que ela seja adequada ao país e aos trabalhadores", declarou.

Contrário à reforma, o líder do PT, Carlos Zarattini (SP), afirma que o projeto é uma "crueldade com o povo brasileiro" e, por isso, ele avalia que a maioria dos deputados se posicionará contra a proposta.

Aliado do governo, o líder do PSD, Marcos Montes (MG), diz que o Planalto está se "esforçando muito" e, embora algumas dificuldades "persistam", há fatores, na avaliação dele, que mostram um "quadro melhor" para a aprovação da reforma.

O deputado Victório Galli (MT), líder do PSC, partido do chamado "Centrão", avalia que as estratégias do governo têm funcionado e, como o novo textou fico "adequado", deve conseguir o apoio necessário.

"O projeto está bom porque o objetivo é acabar com os privilégios. Vamos equiparar trabalhadores da iniciativa privada e pública, onde o déficit é maior. A reforma não vai mexer com o trabalhador da zona rural, que pode ficar tranquilo. Acho que agora vai passar", afirmou.

Busca por apoio

Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), precisa do apoio mínimo de 308 deputados e, por isso, o presidente Michel Temer tem tentado convencer a base aliada a votar a reforma.

Nesta semana, por exemplo, Temer ofereceu um jantar a deputados no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, para apresentar o novo texto.

Nos bastidores, a base aliada dizia que eram esperados 300 deputados, mas compareceram 176 pessoas, incluindo parlamentares, ministros e economistas.

Fonte: G1

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