Editorial: Ajuste fiscal é prioridade

O Brasil tem, hoje, uma dívida pública federal que já é de R$ 3,78 trilhões e não para de crescer.

Uma situação insustentável que vem minando todo o nosso ambiente econômico. O setor produtivo sofre com empresas saindo do mercado e o recuo de investidores estrangeiros, diante da imensa instabilidade que precisa ser revertida o mais rapidamente possível.

A condução deste momento passa, indubitavelmente, pela reorganização das contas do país. É o necessário e urgente ajuste fiscal que precisa chegar com a adoção de reformas estruturantes sendo a mais importante delas a previdenciária, que ainda não conseguimos aprovar.  Com um rombo que chegará a R$ 218 bilhões (sem contar o buraco nas contas de estados e municípios), em 2019, a Previdência é, hoje, do jeito que está, o grande elefante branco da nossa economia.

Sem a reforma da Previdência, não há ajuste fiscal possível. Ela deve ser o carro chefe para a retomada da economia. Com a reforma política andando paralelamente, as outras (tributária e do pacto federativo, por exemplo) virão a reboque. E o fato é: isso não pode mais ser adiado. Olhemos ao redor. Se a Argentina atravessa uma crise monumental, neste momento, é exatamente por não ter feito as reformas completas e em tempo hábil. O erro do presidente Maurício Macri foi, justamente, não reconhecer a urgência dessas ações. O país acabou recorrendo ao FMI e, com isso, perdeu credibilidade. Por aqui, nosso prazo está se esgotando e não podemos ir pelo mesmo caminho. 

O próximo governo terá que entender a urgência absoluta dessa pauta. É a única chance de uma guinada econômica. Sem o ajuste fiscal é impossível imaginar o país crescendo. Se as reformas forem feitas imediatamente, no entanto, retomamos o ambiente de negócio e teremos investimento. Sem a sensação de risco de inadimplência, há redução da taxa de juros. A inflação cai, o dólar se ajusta. Tudo isso impacta diretamente no setor produtivo, fortalece o mercado de trabalho e começa a mudar a realidade dos alarmantes 13 milhões de desempregados que temos hoje, no Brasil. Às vésperas da eleição, o cidadão precisa saber: a pauta econômica deve ser prioridade justamente porque dela derivam todas as outras. Cabe ao eleitor escolher um governo que olhe para essa questão com conhecimento e seriedade, que se comprometa a agir de maneira enérgica e certeira, que assuma prazos. Sim, o monstro da recessão, o tempo da inflação galopante batem à nossa porta. Estamos em crise e isso pode piorar. A boa notícia é que ainda há tempo. A questão é eleger quem tem competência e disposição para tomar as atitudes necessárias.

Fonte: Correio da Bahia

Ler 156 vezes