Governo não deve iludir a população sobre reforma da Previdência, diz Ramos

Para o presidente da Comissão Especial, a clareza é o caminho para convencer mais pessoas da necessidade da proposta

O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), cobrou transparência e responsabilidade do governo no debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019. Para ele, não se pode "vender a ilusão de que, imediatamente após a reforma, a economia vai voltar a crescer, e o país vai virar uma maravilha".

Nesta segunda-feira (6/5), véspera da primeira reunião ordinária do colegiado, Ramos reforçou ter a "convicção" de que a clareza é o caminho para convencer mais pessoas da necessidade da proposta. Por isso, "o governo tem que fazer um esforço de ser absolutamente transparente", o que, na opinião dele, significa "dizer que a reforma não é só para combater privilégios, ela é principalmente para fazer ajuste fiscal".

"Ela também combate privilégios", pontuou. O objetivo, segundo o deputado, é fazer com que quem tem renda contribua, de forma justa, para que os outros possam ter alguma perspectiva, com a consequente retomada do crescimento econômico e a geração de empregos. O importante é "não ter a ilusão" de que as reações na economia serão imediatas.

Por ser um ano considerado "sensível", o deputado acredita que "dificilmente teremos uma reação significativa", mesmo com a aprovação da reforma. "Precisamos ser responsáveis com isso, para não criar uma expectativa falsa na população", ponderou. "Podemos não ter uma reação imediata, mas vamos ter a perspectiva de uma reação, diferente do que (acontece) se não fizermos nada, que tem a certeza do caos."

Segundo round
Ramos também disse esperar que as discussões sejam respeitosas na Comissão Especial. "É natural que posições politicas opostas tenham visões divergentes. O que não é natural é, dentro do Parlamento, a chacota, a piada, a falta de respeito. Isso não é natural, e nós não vamos tolerar", avisou.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por onde a proposta passou antes, houve diversas discussões. A que mais repercutiu aconteceu quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi chamado de "tchutchuca" pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR), ao participar de uma audiência pública.

Questionado se cobraria um compromisso dos deputados da oposição para que tenham uma postura mais séria, Ramos ressaltou que não se referia apenas a eles. "Não só da oposição. Acho que o governo tem que vir preparado só para discutir a matéria, e não para fazer o embate político. O embate político não é papel do ministro, é papel dos deputados da base", ressaltou.

O presidente do colegiado também vai convidar o ministro para participar de uma nova audiência, dessa vez com os deputados da Comissão Especial. Nesta terça-feira (7/5), antes da sessão, Ramos pretende definir o cronograma das audiências, com os coordenadores das bancadas. Se houver acordo, Guedes pode participar logo na primeira audiência, na quarta-feira (7/5), disse o deputado.

Fonte: Correio Braziliense

Ler 85 vezes Última modificação em Terça, 07 Mai 2019 10:49