Falta de planejamento do governo é principal obstáculo à agenda econômica, diz Tebet

“Se vai trocar o chefe, o Posto Ipiranga, não importa. Mas não pode ele ter menos força que o Centrão”, disse presidente da CCJ na Live do Valor

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante do Senado, afirmou na Live do Valor desta terça-feira que a desorganização do governo do presidente Jair Bolsonaro, e em especial da equipe econômica, é a principal responsável pelo insucesso na aprovação de propostas estruturantes para o país.

“O principal obstáculo para a agenda econômica é a falta de planejamento da equipe econômica. Enquanto o governo não sinalizar como quer chegar nas propostas maiores, ficaremos dando desculpa de que o problema é a pandemia”, disse Tebet.

Ela avalia que o afastamento da equipe econômica das negociações com o Congresso é prejudicial a propostas como as reformas tributária e administrativa.

“O governo deixou correr solto algumas propostas na área econômica, especialmente na reforma tributária. O esqueleto tem de vir do governo federal. Reformas tributária e administrativa e PEC do Pacto Federativo tiveram mais obstáculos pela falta de planejamento da equipe econômica do que pela pandemia. Falta da parte do presidente devolver a economia à equipe econômica. Não é possível fazer com a política e o Centrão.”

Nesse sentido, Tebetfoi direta em dizer que a equipe econômica precisa ser fortalecida, com ou sem Paulo Guedes à frente dela.“Falta voltar a fortalecer a equipe econômica do governo. Se vaitrocar o chefe, o Posto Ipiranga, não importa.

Mas não pode ele ter menos força que o Centrão”, disse, sem poupar o grupo de críticas.

“Falta o entendimento da equipe econômica de como funciona uma democracia. Não somos apêndices do Executivo. A sensação que tenho do Paulo Guedes, a impressão que tenho, é que falta entender a política brasileira, a democracia.”

Sobre a criação do Renda Brasil, a senadora criticou soluções como o aumento da carga tributária ou a legalização dos jogos de azar, o que já chegou a ser ventilado. “É inconcebível que a sorte de algumas pessoas matarem a fome de suas crianças dependa do azar de outras, com a legalização dos jogos de azar. Sobre um novo imposto, vamos fazer a classe média pagar, quando nosso povo é o que mais paga impostos e a gente não taxa lucros e dividendos?”, questionou.

Confira a entrevista, conduzida por Andrea Jubé, colunista e repórter de política, e Renan Truffi, repórter setorista de Senado do Valor:

Fonte: Valor Econômico

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