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União e DF brigam por imposto arrecadado que deveria ter ido para Estados e municípios

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Presidente da Câmara minimizou declarações de líder da Força Sindical, que afirmou que Centrão não quer economia maior com Previdência para evitar a reeleição de Bolsonaro

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Vazio dos últimos dias atrasa as discussões na segunda etapa da tramitação da PEC da Previdência. Até ontem, só duas sugestões de mudança no texto haviam sido enviadas

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Em discurso, Paulinho da Força diz que Centrão vai enxugar a PEC da Previdência para não reeleger Jair Bolsonaro em 2022. Integrantes do governo criticam opinião, mas polêmica mostra que deputados exigem mais diálogo por parte do Palácio do Planalto

As manifestações do Dia do Trabalho viraram ato político contra a reforma da Previdência e o governo. Os ataques não foram disparados apenas pela oposição, em palanques montados pelas centrais sindicais. O presidente do Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), ligado à Força Sindical, externou uma articulação interna do Centrão de enxugar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 para não reeleger o presidente Jair Bolsonaro.

O diálogo sobre a desidratação da reforma da Previdência sob a ótica política de confronto ao governo era algo tratado na alta cúpula do Centrão, nos bastidores. Os caciques não gostam da articulação adotada pelo governo. Para as lideranças, é fechada, de pouco diálogo. As principais críticas recaem sobre as dificuldades em emplacar indicados políticos em postos de segundo e terceiro escalões nas administrações públicas federais direta e indireta.

O Solidariedade é um dos partidos que compõem o bloco político que dá as cartas e comanda as principais votações na Câmara, como a da reforma da Previdência, que se encontra em tramitação na Comissão Especial. O Centrão é formado, também, pelo PP, PR, MDB, PSD, DEM, PTB e Podemos. Ainda orbitam em torno desses oito partidos o PSDB e metade do PSL — partido de Bolsonaro — ligado ao líder da legenda, Delegado Waldir (GO).

A aprovação da reforma no molde que o governo encaminhou ao Congresso garantiria uma economia de R$ 1,2 trilhão. É esse ajuste que Bolsonaro pretende garantir, embora tenha demonstrado flexibilidade ao admitir um piso mínimo de R$ 800 bilhões. Ainda assim, é um limite acima do que o Centrão discute aprovar. Para Paulinho, uma economia nesse patamar garantiria uma vitória nas eleições de 2022. “Nos últimos três anos de mandato, teria R$ 240 bilhões para gastar, ou seja, garantir a reeleição”, declarou ontem, em São Paulo. O texto ideal, na visão de Paulinho, é um que assegure uma economia máxima em torno de R$ 500 bilhões. “Com esse discurso, tenho certeza de que a gente traz todo mundo do Centrão, porque ninguém quer a reeleição do Bolsonaro”, discursou.

As declarações de Paulinho não repercutiram bem nem no governo nem no Centrão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse não acreditar que a opinião do deputado seja de todo o grupo. “Vou trabalhar para uma economia de R$ 1 trilhão. Não estou preocupado com a eleição de 2022”, afirmou ao Estadão/Broadcast. Líder do PSD — outro integrante do Centrão —, André de Paula também atacou a posição do ex-sindicalista. “Para mim, é uma surpresa. Porque nunca tinha visto a questão por esse prisma, colocando o que não tem nenhuma importância à frente do que é um claro interesse nacional”, disse ao site O Antagonista. Ao mesmo portal, o líder do PP, Arthur Lira, foi além: “Doidice dele, loucura. Nunca tratamos disso”.

Se integrantes do Centrão criticaram Paulinho da Força, o governo bateu com mais força ainda. O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, espera que a notícia não “seja verdade”. “Esse é o momento de todos pensarem no Brasil e nas próximas gerações, e menos nas próximas eleições”, sustentou, em mensagem publicada no Twitter. Na mesma rede social, publicou um vídeo de deputados do Novo em defesa ao texto, parabenizando os parlamentares que “abraçam e entendem o que é prioridade para o país.” “Não estamos brincando de mera definição de quem vai ganhar e quem vai perder. É o futuro do país. Todos serão impactados com isso”, ponderou um interlocutor de Bolsonaro. “Tirar pontos da proposta só para enfraquecer ou ter um ganho menor para não dar louros para o governo é uma coisa que mostra exatamente como é fundamental ocorrer uma reforma política no Congresso”, analisou outro.
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Críticas
Apesar do mal-estar, o Planalto prega a continuidade de uma articulação com muito diálogo. Vice-líder do governo no Congresso, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) destaca que todos os parlamentares são convidados a se sentirem parte do governo, mas sem apelar para o “toma lá dá cá”. “Vamos conversar e trazer para perto e permitir que participem do governo aliados e pessoas que queiram ajudar. Mas sem esse espírito de porco, de querer atrapalhar o Brasil para se dar bem”, alertou.

O impacto das declarações de Paulinho terão um efeito reverso ao que pretende o parlamentar, prevê Kicis. “Acho que vai ficar muito feio para eles perante a população. Com certeza, as pessoas entenderam que é necessária (a reforma) e (a economia) só vai se recuperar se tivermos uma reforma robusta. Em vez de ficarem preocupados com o sucesso do Brasil, estão de olho nas próximas eleições. É um caminho muito ruim para quem quer se reeleger”, avaliou.

Presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Política, o deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL-SP) avalia que o posicionamento de Paulinho reforça a necessidade de discutir a aprovação de um mecanismo de “recall de mandato”, utilizado nos Estados Unidos para convocar novas eleições para um cargo em questão por abaixo-assinado feito por eleitores. “No caso do Paulinho, isso não seria possível em um sistema proporcional. Mas a expansão do mecanismo para o futuro é algo que vamos discutir”, destacou.

O deputado antecipou ao Correio que a frente elabora um projeto de implementação do voto distrital a ser apresentado até junho. O objetivo é implementar um sistema em que vereadores e deputados estaduais sejam eleitos individualmente nos limites geográficos de um distrito por maioria de votos. A ideia é que o modelo seja híbrido e a execução a nível federal ocorra em outra fase. “Essa conversa de modelo federal fica para segundo plano. Vamos, gradualmente, mudar o sistema”, explicou.

Fonte: Correio Braziliense

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